Ultimos Posts 1. 19/05/2013 18:36 - Perdimento - Maria Teresa Horta De tanto eu amar-te e desejar-te a tirar da paixão seu alimento Não sei se é agrura se sustento este lento caminhar pelo incêndio E de tanto misturar meu corpo ao teu e ao teu desdizer meu pensamento Não entendo se amar-te me sustém ou se pelo avesso é perdimento in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano, Ministério dos Livros Maria Teresa Horta (nasceu em Lisboa a 20... 2. 19/05/2013 02:29 - Além-tédio - Mário de Sá-Carneiro Nada me expira já, nada me vive - Nem a tristeza nem as horas belas. De as não ter e de nunca vir a tê-las, Fartam-me até as coisas que não tive. Como eu quisera, enfim de alma esquecida, Dormir em paz num leito de hospital... Cansei dentro de mim, cansei a vida De tanto a divagar em luz irreal. Outrora imaginei escalar os céus À força de ambição e nostalgia, E doente-de-Novo, fui-... 3. 16/05/2013 19:20 - ARTE POÉTICA - José Emílio-Nelson Demão depois da lixa, zarcão e betume na madeira, a sonoridade da tinta nas passagens em que deixei que os crisântemos que se interpunham fossem mais do verso que os espelhasse. Li até escurecer os olhos. Abandonado, vale dizer. Para uns, ainda, a poesia não dispensa que o autor nas horas certas contemple as flores de papel. Era assim pacientemente a florescência de um verso cresci... 4. 15/05/2013 19:21 - Tríptico - Alfredo Brochado Olaia Caiu agora uma folha De uma olaia da Avenida! Ela tomba e ninguém olha A morte daquela vida. No entanto, mesmo caindo Com suavíssima leveza, É qualquer coisa de findo À face da natureza. Tua vida, a minha vida, A nossa vida, afinal, É aquela folha caída, Num dia de vendaval. Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, Edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores Alf... 5. 14/05/2013 18:40 - Por cousas que nan tem cura - João de Meneses Por cousas que nan têm cura hei por mor desaventura qualquer dita que me vem, nem desejo nenhum bem por nam ver quam pouco dura. Ditoso de quem viver livre, fora d'esperança, digo eu sem no saber, coitado de quem alcança ganhá-la para a perder. Pois tudo tam pouco dura, seguro que nam segura nam no quero de ninguém nem desejo nenhum bem com despreços de mestura. in Rosa do Mundo, 2... |